Análise: Por Dentro do Ecossistema de Vídeo Games do Brasil

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James Portnow Publicado nesta quarta-feira 20 de Janeiro, um  artigo  no Gamasutra de James Portnow, game designer norte-americano, ex-Activision (série Call of Duty) e mestre pela Universidade Carnegie Mellon, falando sobre o mercado brasileiro atual de vídeo game, aqui traremos um apanhado geral de todo este trabalho realizado por James.

Tudo começou quando James recebeu a oportunidade de realizar negócios aqui no Brasil, só que ele não conhecia nada sobre a indústria de games brasileira. Então ele resolveu dar um pulo por aqui e pesquisar sobre.

Visão Geral

“O país tem unidade, riqueza e uma população altamente educada o suficiente para tornar-se a próxima Coréia.” ( Modesto não? ) O Brasil têm uma boa massa de ‘gamers’ e uma notável vontade de desenvolver uma indústria própria, livre de tradições e mentalidade de mercados já estabelecidos. James afirma acreditar na indústria brasileira só que há um imenso obstáculo, ( Advinha qual? ) a Pirataria. “A Pirataria é galopante, a indústria é inexperiente, o financiamento é quase inexistente, a distribuição é quase impossível, e que o governo é apático ou hostil. É um lugar arriscado.”

Barreiras

  • Pirataria

Afirma James que a barreira não começa tão somente na pirataria, mas na taxa de impostos. Onde jogos originais no Brasil são vendidos por cerca de U$ 140,00, afirma também que consoles aqui no Brasil foram vendidos por cerca de duas vezes o seu preço no EUA ( Incrível não? ). Porém, tudo isso não quer dizer que a pirataria não é problema, além do preço em conta, cerca de R$ 5,00 – 15,00 possuem melhor serviços, como o de trocar o jogo após alguns dias se não gostar. Ai entra a questão de como são vendidos os jogos de PS3 no Brasil, se os discos Blu-ray não podem ser pirateados?

  • Academias Brasileiras

Segundo James os universitários brasileiros ultrapassam de longe os esforços Norte Americanos atuais ( Um ponto para os brasileiros! ). Porém, ainda são poucos os investimentos estatais nesta área, mas as universidades brasileiras, com paixão e determinação, não medem esforços para desenvolverem-se nesta área. O Brasil não tem indústria para extrair os recursos desenvolvidos nas escolas, sendo assim, não tem estágios disponíveis para os alunos. Outro problema é a carência de software, hardware e até mesmo laboratórios.

  • Oi Futuro Nave

Em uma de suas viajem James conheceu o Oi Futuro Nave e afirmou ser o mais ousado projeto que já conheceu, cujo objetivo é preparar os alunos para a cultura tecnológica do futuro. Equipado com tecnologias modernas, os alunos se especializam em animação, script ou programação de jogos.É uma escola pública com aulas das 8:00 às 17:00. Oi Futuro Nave acaba com o mistério da tecnologia moderna para estes miúdos, mas deixa a magia. “Este é o futuro da pedagogia.” Diz James.

  • Publishers

“Um dos maiores obstáculos brasileiro, o país não possui grandes editoras e não há grandes editoras internacionais, com a possível exceção da Ubisoft”, afirma James. O investimento governamental é limitado a bolsas para educação e entretenimentos de jogos e simulações, que desencadeou o crescimento de Serious Games no país. Assim muitas empresas reduzem a trabalhos de contratos para permanecer no negócio.

  • Desenvolvimento

Com exceção da Southlogic e talvez Tendi Software a maioria da indústria brasileira é focada em menores, em títulos não-console. O país tem fortes desenvolvedores em dispositivos móveis como a Gameloft e Glu Mobile, porém, como nos EUA, o mercado Mobile game é praticamente uma indústria separada. Desenvolvimento para PC e Console está na fase nascente e sofre muitos problemas que afligem a comunidade de desenvolvimento amador. Segundo James, um dos nossos problemas é que a indústria brasileira não possui uma visão clara e unificada, isso ainda é algo que precisa amadurecer. Também há uma fuga de desenvolvedores, os mais talentosos e bem sucedidos acabam indo trabalhar nos EUA, os salários lá falam mais alto, os salários brasileiros chegam a cerca de 20% do salário nos EUA.

  • Distribuição

Sobre a distribuição de jogos no Brasil, James diz que a uma carência de varejo dedicado a jogos, e isso também pode dificultar o crescimento interno. Após algumas vasculhações James verificou também que o país não possue um sistema de distribuição digital.

Possibilidades

  • Online

Para James, o espaço online é uma das maiores oportunidades de desenvolvimento. “Acho que neste momento os brasileiros não podem desenvolver grandes MMO nos estilos ocidentais ou mesmo competir com os que estão saindo da Coréia e China, mas possuem a capacidade de criar uma poderosa rede social de MMO baseada em navegadores.” O mercado MMO no Brasil é incrivelmente pequeno, há cerca de 1,5 milhões de jogadores em servidores legítimos e um grande número de jogadores em servidores piratas, diz James. Para muitos MMO o Brasil só perde para a Rússia em servidores piratas. O Brasil possui uma grande quantidade de internet baseada em Wi-fi nos centros urbanos e cerca de 20.000 pequenos cafés com internet sem licença. O problema com a internet no Brasil é que nem sempre é confiável.

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  • Pressões políticas externas

Ele também acredita que as grandes empresas internacionais poderão trabalhar com a indústria no Brasil, o que permitirá uma queda nos preções dos consoles e dos jogos, que por sua vez ajudaria a eliminar a pirataria ou reduzi-la a níveis administráveis.

  • Edutainmet

“O governo brasileiro tem auxiliado e incentivado a criação de jogos educativos, como resultado, em minha opinião, os produtos brasileiros são superiores aos que já vi sair nos EUA” ( Mais um ponto para nós! ). “Os produtos que vi podem ser facilmente integrados nas salas de aula norte americanas ou enviados para todo o mundo como top-tier jogos, no ramo educacional, o Brasil sem dúvidas será um jogador internacional nos próximos anos.”

  • TV Interativa

A última perspectiva e talvez a mais interessante para o pontapé inicial da indústria de jogos no Brasil é a versão de TV a cabo digital do país, com sistema projetado para interatividade a um grau muito maior que a nossa, diz James. Em 2016 com a extinção de sinais analógicos, haverá cerca de 150 a 170 milhões de televisores digitais no país. Isto significa, um novo console instalado nos lares de pelo menos 150 milhões – dados maiores que a base de cada console instalada na geração atual, fora que é um software totalmente não ‘pirateável’, que resume-se a jogos de pequeno porte e que está livre da concorrência externa.

Conclusão

Afirma James que está é a hora de entrar no Brasil, a margem é certa. “Se eu fosse um apostador eu diria que as chances são de 3 para 1. Mas, ao mesmo tempo diria que o retorno de investimentos neste momento será de 10 para 1. Acredito também que as indústrias estrangeiras têm a oportunidade de melhorar as chances das indústrias brasileiras e se tornarem bem sucedidas.”

Algumas destas barreiras já estão em processo de rompimento. Com a criação do console brasileiro, o Zeebo, o investimento no desenvolvimento de jogos no Brasil tende a crescer, fora que algumas empresas internacionais como a Capcom,  Electronic Arts, Namco, Activision, Sega e Id estão na lista de parceiros para desenvolvimentos de jogos para Zeebo.

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E sobre a TV Digital, alguns middleware já estão sendo utilizado para desenvolvimento de games como o Ginga e o Tuga, entre outros. Pesquisas sobre estes assuntos é o que não faltam ultimamente. Os ‘pauzinhos’ começaram a se mover…

Para ver o artigo completo acesse Gamasutra.com.

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3 Respostas to “Análise: Por Dentro do Ecossistema de Vídeo Games do Brasil”

  1. socorro guedes Says:

    ‘Este artigo que acabei de ler foi muito proveitoso,pois me trouxe muito conhecimento a respeito do desenvolvimento do mercado de games no Brasil.espero que tenham mais artigos informativos sobre esses games aqui no Brasil.aprovei e parabenizo(congratulacions)wendell costa pelo maravilhoso artigo.até a proxima edição.

    • Console Acadêmico Says:

      =p… o artigo não é do Wendell, Socorro.
      É uma resenha do artigo de James Portnow feita pelo Wendell.
      Agradecemos pela força.
      E pode voltar, esse foi o primeiro de vários!

  2. Andy Says:

    Parabéns…conheci esse espaço há pouco tempo, em algumas comunidades que temos em comum com o Orkut, e parabenizo desde já a iniciativa.

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